Por Ana Paula Fortes
O afastamento do narrador Luis Roberto de Múcio da cobertura da Copa do Mundo de 2026 após o diagnóstico de uma neoplasia na região cervical trouxe à tona dúvidas sobre a condição e seus impactos na saúde. O tema, embora ainda pouco conhecido pelo público, exige atenção, especialmente quando se trata de prevenção e diagnóstico precoce. Apesar de Luis Roberto ter nascido em São Paulo (SP), logo aos dois anos se mudou para São João da Boa Vista, cidade que, inclusive, considera a de nascimento.
A neoplasia cervical é um termo amplo utilizado para descrever o crescimento anormal de células na região do pescoço. Esse crescimento pode ser benigno, quando não apresenta risco de disseminação, ou maligno, caracterizando um câncer.
Para o oncologista Fernando Pessuti, da Clinion, é importante esclarecer que o diagnóstico inicial não define, por si só, a gravidade do quadro. “A palavra neoplasia assusta, mas ela não é sinônimo automático de câncer. É necessário investigar a origem, o tipo e o comportamento dessas células para determinar o tratamento adequado”, explicou.
A região cervical abrange diversas estruturas, como linfonodos, glândulas salivares, tireoide, além de órgãos como boca, garganta e laringe. Por isso, a origem da neoplasia pode variar bastante, o que influencia diretamente os sintomas e o tratamento.
Segundo Pessuti, em muitos casos, os tumores identificados no pescoço podem, inclusive, ter origem em outras partes do corpo, sendo manifestações secundárias (metástases). “Por isso, a investigação clínica é essencial e envolve exames de imagem, biópsias e avaliação do histórico do paciente”, destacou.
Nos estágios iniciais, a neoplasia cervical pode não apresentar sintomas. No entanto, conforme a doença evolui, alguns sinais podem surgir, como nódulo ou caroço no pescoço, dor de garganta persistente, dificuldade para engolir, alterações na voz, feridas na boca que não cicatrizam.
Esses sintomas não são exclusivos da doença, mas devem ser investigados, especialmente se persistirem.
Entre os principais fatores de risco estão: tabagismo, consumo excessivo de álcool, infecção por HPV, má higiene bucal e histórico familiar.
O oncologista reforça que hábitos saudáveis são fundamentais para reduzir os riscos. “Evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool e manter acompanhamento médico regular são medidas essenciais”, afirmou.
O tratamento varia conforme o tipo e o estágio da neoplasia. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, mais recentemente, imunoterapia.
Além disso, o acompanhamento multidisciplinar é fundamental, especialmente em casos que podem afetar funções como fala e deglutição. “Hoje, contamos com equipes completas, incluindo fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos, que auxiliam na recuperação do paciente”, ressaltou.
DIAGNÓSTICO PRECOCE
O caso de Luis Roberto reforça a importância dos exames de rotina. Foi justamente em uma avaliação de rotina que a alteração foi identificada, permitindo o início do acompanhamento médico.
Para o oncologista, essa é a principal mensagem: “Quanto mais cedo descobrimos, maiores são as chances de sucesso no tratamento. Não esperar os sintomas aparecerem é fundamental”, finalizou.